segunda-feira, 6 de outubro de 2008

2º TURNO

Minhas apostas, algumas naturais:

Porto Alegre: FOGAÇA (fez mais votos do que a soma da Maria do Rosário e Manuela)

São Paulo: KASSAB (para uma candidata com pretensões presidenciais foi muito feio chegar em segundo)

Rio de Janeiro: GABEIRA (justiça com o brilhante parlamentar)

Belo Horizonte: LEONARDO QUINTÃO (o neto de Tancredo somado a Lula não demonstraram tanta força assim. Bom para SERRA)

Pelotas: MARRONI (contra a velha oligarquia pelotense, qualquer um)

PRIMEIRAS CONSTATAÇÕES PÓS-ELEIÇÕES

ELISA: Você ainda vai ouvir falar dela.

Para os sem-memória: PT vence em 6 capitais (nordeste e centro-oeste), exatamente as capitais onde sempre a ARENA, na finada ditadura, ganhava. Isso é sintomático.

Já que falei na ditadura, relembro o velho e combativo PASQUIM, pois para o bom entendedor meia palavra basta: A JUSTIÇA FARDA MAS NÃO TALHA...He, he, he.

sábado, 4 de outubro de 2008

MAIS ALEX, MAIS POESIA

AMAR EM APARELHOS

Era uma coisa louca
trepar naquele quarto
com a cama. suspensa
por quatro latas
com o fino lençol
todo ele impresso
pelo valor de teu corpo
e a tinta do mimeógrafo.

Era uma loucura
se- despedir da coberta
ainda escuro
fazer o café
e a descoberta
de te amar
apesar dos pernilongos
e a consciência
de que a mentira
tem pernas curtas.

Não era fácil
fazer o amor
entre tantas metralhadoras
panfletos, bombas
apreensões fatais
e os cinzeiros abarrotados
eternamente com o teu Continental,
preferência nacional.

Era tão irracional
gemer de prazer
nas vésperas de nossos crimes
contra a segurança nacional
era duro rimar orgasmo
com guerrilha
e esperar um tiro
na próxima esquina.

Era difícil
jurar amor eterno
estando com a cabeça
à prêmio
pois a vida podia terminar
antes do amor.

Aí está um pouco mais da poesia de ALEX POLARI. Sofrida, ingênua, às vezes, mas profundamente honesta e lírica, apesar dos grilhões.

Agora são exatamente 8 minutos do dia 05/10/2008.
Hora de dormir para acordar e votar. Exercer um direito que tentaram nos negar por muito tempo...Até amanhã!

Fonte: Arquivo pessoal, Caderno B (Jornal do Brasil), Blog do Noblat, Blog do Antonio Miranda.

ALEX POLARI DE ALVERGA

Foi ainda na prisão que viu ser publicado seu primeiro livro de poesias "INVENTÁRIO DE CICATRIZES", em 1978. Por sua militância contra o regime militar brasileiro, ficou preso de 1971 a 1980, ano em que, já livre, saiu seu segundo livro, "CAMARIM DE PRISIONEIRO". Além de dedicar-se a assistência social na região onde vive, ALEX POLARI também participa da comunidade do Santo Daime.

Ninguém imaginaria que o jovem surfista participaria, no futuro, do seqüestro do embaixador alemão no Brasil e que na cadeia seria testemunha da morte de STUART ANGEL (filho da estilista ZUZU ANGEL), por exemplo.

Mesmo assim o poeta demonstra a tranquilidade de estar em paz consigo mesmo:

- Não me sinto mutilado, apesar do sofrimento de ter perdido a juventude (...)apesar do nosso equivoco de querer derrubar o Estado, vencer o exército, nós abrimos caminhos numa ditadura carniceira. Minha opção espiritual pelo Santo Daime completou isso.

ZOOLÓGICO HUMANO

o que somos
é algo distante
do que fomos

ou pensamos ser.

Veja o mundo:
ele se move
sem nossa interferência

veja a vida:

ela prossegue
sem nossa licença

veja sua amiga:

ela se comove
por outros corpos
que não o seu.

Somos simplesmente

o que é mais fácil ser:
lembrança
sentimento fóssil
referência ética
apenas um belo ornamento
para a consciência dos outros.

A quem interessar possa:
Estamos abertos à visitação pública
sábados e domingos
das 8 às 17 horas.

Favor não jogar amendoim.

POESIA ÀS VÉSPERAS DA ELEIÇÃO

Falta pouco para iniciarmos mais uma eleição. Amanhã, por todo o país, milhões de pessoas depositarão seus votos na urna. Claro que essa é uma expressão que não tem mais valor. Hoje, o voto é eletrônico. Um clique e basta. Mas para podermos chegar a esse estágio, muitos se posicionaram, se sacrificaram. A grande maioria está no governo ou recebeu uma indenização milionária. Esta é uma homenagem aos poucos, muito poucos, que escolheram outro caminho. ALEX POLARI DE ALVERGA foi um deles. sua poesia diz tudo...

IDÍLICA ESTUDANTIL

Nossa geração teve pouco tempo
começou pelo fim
mas foi bela a nossa procura
ah! moça, como foi bela a nossa procura
mesmo com tanta ilusão perdida
quebrada,
mesmo com tanto caco de sonho
onde até hoje
agente se corta.

SEMÂNTICA EXISTENCIAL

Debaixo da janela da minha cela/
Desfilam a primeira companhia, a segunda companhia/
A terceira companhia e as demais companhias/
Que não solucionam a minha solidão

TOQUE

"O CAPITALISMO sobreviveu ao COMUNISMO. Hoje, ele se devora a si mesmo."

CHARLES BUKOWSKI, em 03/10/1991

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

CHARLES ANJO 45 é 2º Tenente Reformado da Marinha

Há alguns anos atrás descobri que CHARLES ANJO 45, personagem de uma música de JORGE BEN JOR, havia existido e estava vivo. Seu nome era AVELINO CAPITANI, morava em Porto Alegre e pleiteava ser ANISTIADO, recuperando com isso seus direitos civis e políticos.

Essa reparação veio em janeiro de 2003, conforme nos informa uma matéria de Nilson Mariano para a Zero Hora de hoje (02/10). Capitani acha que teria direito ao soldo de capitão mas, segundo Mariano, não perde o sono com isso.

A seguir transcrevo informações colhidas no site do SINPRO-RS:

"A história do marinheiro Avelino começou em 1960, no início de uma década polarizada por duas correntes: a esquerda nacionalista e a direita conservadora. Essas eram as expressões da época. Gaúcho de Lajeado, Capitani ingressou na Marinha aos 20 anos. O colono do interior foi direto para o Rio de Janeiro. Dois anos depois, era criada a Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais que tinha como reivindicações o direito ao casamento, o fim do livro de castigos, o direito a andar como civil em casa. A Marinha se negou a conceder esses direitos sociais e, sem muita saída, a Associação acabou se alinhando às chamadas forças nacionalistas.

O que veio depois é uma história pouco narrada nos livros oficiais, mas ainda presente na memória de seus personagens. “À tardinha, no dia posteior ao golpe militar, dez mil soldados estão a postos para atacar três mil marinheiros, aquartelados, com tanques e canhões; se aproximando do Rio, mais 50 mil soldados vindos de São Paulo”, recorda. Capitani estava no comando do movimento e viu homens chorando com a iminência da morte.

Como revanche à ousadia dos marinheiros, veio a perseguição às lideranças do movimento. Ao todo, 1.509 homens foram expulsos e processados; 400 foram condenados. A soma total das penalidades chega a 13 séculos de prisão, 1.300 anos, “a maior pena coletiva da história do Brasil”. A Marinha, além disso, mandou ofício circular para todas as empresas brasileiras proibindo dar oportunidade de emprego aos condenados. Sem alternativa de vida, muitos se refugiaram no interior, outros foram viver de biscate. E uma outra parte, onde Capitani se inclui, caiu na clandestinidade.

Capitani foi preso, fugiu, se asilou no Uruguai e fez treinamento de guerra em Cuba. De volta ao Brasil, clandestino, participou da Guerrilha de Caparaó - o primeiro foco guerrilheiro no Brasil. Foi mais ou menos nessa época que surgiu o codinome que o acompanhou por um bom tempo de sua vida: CHARLES ANJO 45.

O nome de guerra era Charles porque ele era LOIRO, parecendo um europeu. ANJO porque numa das penitenciárias foi atendido por um grupo de estagiárias de assistência social que o apelidaram de anjo loiro. E 45... bem, porque na guerrilha ele usava uma pistola 45.

Quando foi ferido, o anjo loiro subiu o morro para escapar do cerco. Na fuga, foi ajudado por moradores da favela, mas deixou um rastro de sangue. “Como eu desapareci, pensaram que eu estava morto. Daí o Jorge Ben fez a música”, relata. Capitani viveu clandestinamente até a promulgação da lei da anistia, em 28 de agosto de 1979".

Um grande mistério foi esclarecido, Avelino Capitani está vivo e, apesar das torturas sofridas, goza de boa saúde, mas outro mistério continua: JORGE BEN JOR, compositor inspirado (tenho vários CDs e LPs dele) nunca foi muito ligado em temas políticos. Talvez a única excessão seja CHARLES ANJO 45 (não lembro de outra). Minha admiração pelo Babulina, parceiro de Caetano, Gilberto Gil e tantos outros, cresceu ainda mais. Portanto fica a pergunta: O que o levou a escrever essa maravilhosa canção?

Enquanto aguardamos a resposta, deliciem-se com a letra de CHARLES ANJO 45, uma homenagem ao marinheiro AVELINO CAPITANI.

Charles Anjo 45

Jorge Ben Jor

Ôba, ôba, ôba Charles
Como é que é
My friend Charles
Como vão as coisas Charles?...

Charles, Anjo 45
Protetor dos fracos
E dos oprimidos
Robin Hood dos morros
Rei da malandragem
Um homem de verdade
Com muita coragem
Só porque um dia
Charles marcou bobeira
Foi sem querer tirar féria
Numa colônia penal...

Ôba, ôba, ôba Charles
Como é que é
My friend Charles
Como vão as coisas Charles?...

Charles, Anjo 45
Protetor dos fracos
E dos oprimidos
Mas Deus é justo e verdadeiro
E antes de acabar as férias
Nosso Charles vai voltar
Para alegria geral
Antecipando o carnaval
Vai ter batucada
Uma missa em ação de graças
Vai ter feijoada
Whisky com cerveja
E outras milongas mais

Ôba, ôba, ôba Charles
Como é que é
My friend Charles
Como vão as coisas Charles?
Charles, 45...

Charles, Anjo 45
Protetor dos fracos
E dos oprimidos
Mas Deus é justo e verdadeiro
E antes de acabar as férias
Nosso Charles vai voltar...

Para alegria geral
Antecipando o carnaval
Vai ter batucada
Uma missa em ação de graças
Vai ter feijoada
Whisky com cerveja
E outras milongas mais...

Ôba, ôba, ôba Charles
Como é que é
My friend Charles
Como vão as coisas Charles?...