quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Sobre ler a revista VEJA

A imensa maioria dos meus queridos e diletos amigos vota no PT. Este é um direito inalienável deles. Quase todos simplificam de maneira banal minhas críticas a esquerda com a qualificação de leitor da VEJA. Como se isso fosse um crime. Vamos deixar bem claro: a única revista que compro sistemeticamente é a PIAUÍ.Eventualmente adquiro a ROLLING STONE quando não tem nenhum ator global na capa (excessão feita a de janeiro com a Caroline Dickman, por que ninguém é de ferro, he, he, he)e em relação a VEJA, compro quando realizo alguma viagem e leio os blogs do Augusto Nunes e do Azevedo pela sua coragem e textos magníficos. Essa simplificação se estende a expressões tais como "isso é coisa da GLOBO" ou "foram os americanos". Hoje estendidas a FOLHA DE SÃO PAULO e ao ESTADÃO. Por praticarem jornalismo, nada mais.

Pois bem, vamos lá, considero a VEJA a melhor revista semanal deste nosso Brasil e a GLOBO a melhor TV aberta do bananão. Gosto da revista mas não tenho muita simpatia pela Globo. Essa overdose de artistas globais me entedia e não me ajuda no crescimento intelectual que pratico no meu dia-a-dia. O cinema brasileiro está infectado desses atores e atrizes. Mesmo assim me apresentem algo melhor. Aonde? Caros Amigos, Carta Capital? Pela sua mediocridade não tem ressonância na sociedade. TVS, Record, Bandeirantes, qual delas faz frente a emissora dos Marinhos? O que nos leva a um velho desejo da esquerda: o tal "controle social da mídia" que na minha opinião não passa da velha censura, que passaria a ser exercida com outro nome. Não vai colar, apesar desse papo voltar a acontecer sempre que mais um escândalo for denunciado pela imprensa.

Concluo lembrando de uma velha história. Na época da ditadura, acho que no governo Geisel, não tenho certeza, quatro grupos disputavam 2 canais de televisão. Um em São Paulo outro no Rio. Na Cidade Maravilhosa disputavam o JORNAL DO BRASIL e o grupo BLOCH que editava a revista MANCHETE. Em São Paulo, quem ganhou o canal de TV foi o empresário Sílvio Santos. Essa disputa era com a EDITORA ABRIL que edita até hoje a revista VEJA. Perdeu o BRASIL. Ganharam Adolfo Bloch e Sílvio Santos, vassalos de qualquer governo.

Fica a pergunta: e hoje, o atual governo entregaria um canal de televisão a quem? Novamente a Sílvio Santos e toda a mediocridade que vem junto de sí, ou a revista VEJA?

Façam suas apostas enquanto eu vou ficando por aqui. Tchau

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Dilma e suas circunstâncias

Dilma, se quiser, pode entrar para a HISTÓRIA. Basta se livrar da herança maldita que recebeu de Lula, que cortejou todos os regimes mais impuros e despóticos do planeta em nome de uma certa independência dos EUA e que governou com o pior da política e dos políticos brasileiros (Sarney é um homem incomun").

O poder Judiciário está mais preocupado em garantir seus aumentos e taxas de moradia, não vai incomodar. A maioria dos partidos políticos são entidades criminosas. Um "privilégio" que não é só do centro ou da direita. Resta portanto o Executivo se livrar das amarras congressuais e governar ao lado do povo que, sabendo das boas intenções da Dilma, não vai negar o seu apoio.

A presidente tem de começar a emitir sinais. O primeiro deles tomando posição em favor da liberdade individual. Que tal tomar partido em favor da blogueira cubana, Yoani Sanchéz? A repercussão seria mundial. O que traria prestígio e respeito ao governo brasileiro. A vida é feita de pequenos gerstos. Outra ótima atitude seria recriminando o presidente (?) do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que tenta uma reaproximação com o Brasil. Um regime que pune mulheres de maneira brutal tem de ser questionado e colocado no seu lugar.

A lider brasileira poderia se manifestar a respeito do Mensalão e instigar o Supremo a decidir, o mais breve possível, qual é o perigo? O povo aplaudiria entusiasmado. E o assassinato do prefeito Celso Daniel, do mesmo partido dela? Não seria bom alguma manifestação a esse respeito? A implantação da CONMISSÃO DA VERDADE foi algo positivo. Os criminossos que brutalizaram, torturaram e mataram durante a ditadura devem ser identificados, no mínimo, já que não podemos puní-los. As pessoas estão a espera de respostas.

Quem melhor do que Dilma Roussef para dá-las?

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

OUTRO TOQUE

"O poeta moderno não fala a linguagem da sociedade nem comunga com os valores da atual civilização.
A poesia do nosso tempo não pode escapar da solidão e da rebelião, a não ser através de uma mudança da sociedade e do próprio homem."

Octavio Paz, poeta mexicano in "O ARCO E A LIRA".

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

TOQUE

"O trabalho do poeta é dar nome ao inominável, apontar fraudes, escolher lados,iniciar discussões, moldar o mundo e impedi-lo de dormir."

Baal, o poeta, em Os Versos Satânicos, de Salman Rushdie

domingo, 18 de dezembro de 2011

GERAÇÃO CLUBINHO - 40 ANOS

“A vida não é o que se viveu, mas o que se lembra, e como isso é lembrado para ser contado.”

Gabriel Garcia Márquez

A criação do Clubinho, um grupo de jovens que se reuniam para dançar nas tardes de domingo entre abril e novembro de 1971, foi uma maneira inconsciente e ingênua de celebrar as mudanças de comportamento que ocorreram a partir de meados dos anos 60 do século passado. Santa Vitória oferecia muito pouco (jogatina,” bocas”, futebol). Os ventos que varreram Paris em 1968 chegaram aqui como um sopro, um sopro de liberdade. Ironicamente através da BR471, uma obra do regime militar.
A idade média desse grupo deveria ser de 15 anos. Naquela época quase crianças. O Clubinho foi um rito de passagem, da infância para a adolescência, com todas as virtudes e perigos que isso poderia acarretar. Não esqueçam, vivíamos em uma cidade que ficava longe de tudo, longe do mundo. Antes mesmo de beber a primeira cerveja já era taxado de drogado. Antes mesmo de dar o primeiro beijo era chamado de “bicha”. Os cabelos compridos incomodavam. Namorar era algo natural e necessário. Éramos jovens, alegres, sorridentes. Mesmo assim, mais cedo ou mais tarde alguns iriam morder o fruto proibido. Eu entre eles. O Clubinho acabou por isso mesmo.
Foi algo imperdoável para uma sociedade que recebia com desconfiança os ares de renovação que ocorriam no planeta inteiro. Como disse, era um rito de passagem. Foi nesse ano que tive o primeiro contato com o semanário “O Pasquim”, que mudou minha cabeça radicalmente e, também um jornal, de música, chamado Rolling Stone. Os dois editados no Rio de Janeiro. Isso me transformou. Eu queria ser igual a eles, que gostavam de Jimi Hendrix, mas não abriam mão de ter entre seus discos o último LP do Paulinho da Viola ou do Chico Buarque.
Recentemente comemoramos o reencontro daquele pessoal que dançava nas tardes de domingo. Foi uma festa memorável. As pessoas estavam felizes. Muitos não se viam desde aqueles tempos. É importante não deixar de lembrar que grandes amigos ficaram pela metade deste longo caminho, mas qual geração não passou por isso? Não deixou de ser também uma bandeira branca de Paz oferecida às diferenças do passado, pois várias gerações se fizeram presente no Clube Comercial, como que a dizer: seguimos em frente, desta vez, todos juntos.
Há alguns anos atrás participei de um debate com a jornalista Ana Maria Bahiana sobre o livro “Almanaque dos Anos 70” onde ela fez o seguinte desafio:” quem viveu intensamente os anos 70 está condenado a não se lembrar deles. Pelo menos não intensamente... “ Pois bem, agora aceitei a provocação e o resultado foi lido na noite do dia 26 de novembro de 2011.

Vamos lembrar:
Guerra do Vietnã, Ditadura, Lei de Segurança Nacional, AI-5, Repressão, Censura, Protesto, Transamazônica, Era de Aquarius, Festival de Woodstock, Easy Rider, Jimi Hendrix, Janis Joplin, peça Hair, Hippies, Hare Krishna, Jesus Cristo Superstar, Jovem Guarda, Rock, MPB, Roberto Carlos, Detalhes, Debaixo dos Caracóis do seus Cabelos, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Alegria, Alegria, Os Incríveis, The Fevers, Vem me Ajudar, Badabadabada, Ave Maria do Morro, Impossível acreditar que perdi você, Eu quero é botar meu bloco na rua, Último Tango em Paris, Love Story, Beatles, Rolling Stones, John Lennon, O Sonho Acabou, coitado de quem não sonhou, LP, Minicassete, Gradiente, Polivox, Leila Diniz, O Pasquim, Revista POP, só tem amor quem tem amor prá dar, barra limpa, barra pesada, boco moco, estou na Fossa, na minha, na sua, prá frentex, unissex, ele é um pão, gamado, zebra, cuca, careta, curtição, grilo, bicho, é isso aí bicho, podes crer, Macrobiótica, Misticismo, Guru, Dieta, Amar É..., Fliperama, Eram os Deuses Astronautas?, O Despertar do Mágicos, Cem anos de Solidão, Carlos Castañeda, Loteria Esportiva, Sandálias Havaianas, Poster na parede do quarto, Conga, Bamba, Ki-Chute, sandália de sola de pneu, bolsa capanga, japona do Chuí, Patchuli, incenso, Zen, Pelé, Seleção do Tri, Fio Maravilha, Pindorama, Terror Show, Azteca, Fragata, cabeludos, cabelos compridos, Paz & Amor, Amor & Flor, O dedo em “V”, mini-saia, calça boca-de-sino, bata indiana, camisa cacharel, mini-blusa, Blue Jeans, calça Lee, tanga, tanga de crochê, Ginásio, Banda do Ginásio, Baile no Ginásio, Festival da Dona Helena, Penhas no CTG, Baile do 31, Festa de 15 anos, 1ª sessão do Cinema, flertar, pegar da mão, namorar, Reunião Dançante, Bar Tabajara, O Peixeiro, Assobio, The Fingers Sound, Clube Caixeiral, Clube Comercial, CLUBINHO, 40 ANOS, NUNCA FOMOS TÃO FELIZES...
*Paulo Potiguara

P. S. aos incautos e ressentidos: NÃO foi o Nilmar, mas essa, como diria o Charles Gavin, é outra história! Tchau.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Christopher Hitchens, Joãozinho Trinta & Sérgio Brito

DISPAROS DAS BARRICADAS DO HERMENEGILDO:
Estou lendo o livro HICTH 22 de CHRISTOPHER HITCHENS. A pouco mais de 10 minutos fiquei sabendo de seu falecimento. HICTH era um jornalista e ativista político que não tinha medo de polemizar. Socialista ligado a esquerda do partido trabalhista inglês, já morando nos EUA, após os atentados de 11 de setembro não se furtou de apoiar a invasão do Iraque, o que causou atritos com setores da esquerda internacional. Anticlerical convicto era autor de, entre outros, DEUS NÃO É GRANDE, um ataque a religiosos de todos os matizes, dizendo que a religião é estimuladora da violência.
Hoje está sendo um dia triste para mim. Perco um escritor que estou descobrindo através de sua autobiografia e que pelo estilo e coragem me levará a conhecer sua obra. E também pela perda de dois ícones de Cultura brasileira: JOÃOZINHO TRINTA, o genial carnavalesco que mostrou as elites brasileiras toda a criatividade de seu povo e SÉRGIO BRITO, um ator e diretor teatral que equiparou o nosso Teatro ao dos maiores do mundo. Ainda tenho nos meus arquivos um longa entrevista deste ator sobre os papéis que interpretou durante sua longa carreira e sobre a serenidade e altives com que assume sua homosexualidade. Uma lição de maturidade e sapiência

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Olhaí, ativando o blog, de novo.

Faz quase um ano que deixei de postar. O último comentário foi uma saudação a nova presidente. Quem iria imaginar que Dilma terminaria esses primeiros 365 dias de governo com tantos ministros envolvidos em corrupção.

Bem, minha idéia é postar alguns textos em que uso a expressão "DISPAROS DAS BARRICADAS DO HERMENEGILDO" em assuntos que acho que devo meter o bedelho. Os primeiros serão repetições de alguns que estão no Facebook. Confiram aí.

Na sequência um texto inédito sobre a reunião de comemoração dos 40 ANOS DA GERAÇÃO CLUBINHO.

Quem viver, lerá.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

TCHAU, LULLA

Entre altos e baixos, o presidente Lulla, meio que contra a vontade, consolidou o capitalismo no Brasil e por isso os pobres tiveram um acréscimo na sua renda, sobrando para os ricos a grande fatia do bolo. Nunca ganharam tanto como agora, debaixo do manto de Lulla.

Resta para todos nós gritar um VIVA A DEMOCRACIA, que nos permite dar um adeus a um presidente que transfere o poder sem maiores traumas e que a nova presidenta, DILMA ROUSSEF, saiba respeitar as liberdades individuais, o direito de dizer não e a liberdade de imprensa, fundamentais em qualquer democracia.

Como brasileiro, desejo um grande governo a presidenta Dilma e que não se deixe seduzir pelos vícios do seu partido.

É isso aí.

domingo, 21 de novembro de 2010

BLANC x GUARABIRA

Andou rolando uma polêmica entre o letrista Aldir Blanc e o compositor Gutemberg Guarabira. Blanc disse que quem votasse contra Dilma estaria votando nos torturadores do regime militar.

Agora já sei por que a parceria do letrista com João Bosco não foi adiante.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Dilma presidente do Brasil

Podia ser pior, podia ter sido a Ideli.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

ASSIS BRASIL e a PALMARTE

Leio na Zero Hora que Luís Antônio de Assis Brasil será o novo secretário de Cultura do RS.

Gostaria de saber se a nomeação do escritor esta na cota pessoal do governador ou se foi indicado pelo PP? Já explico a razão dessa pergunta.

Para quemm não sabe, a PALMARTE foi um movimento artístico que trouxe muita luz a Santa Vitória nos anos de 1979, 1980 e 1983. Além de sua contribuição ao marasmo cultural que se vivia na época, a PALMARTE significou também a resistência a ditadura militar. Um belo exemplo disso foi o debate realizado na sua primeira edição sobre a Maré Vermelha, com uma conclusão totalmente diferente da oficial divulgada pela imprensa. Entre tantos talentos que mostraram seus trabalhos, podemos citar HAMILTON KOELHO ainda em busca de um norte na sua obra, mas já convicto do que queria e um imberbe VÍTOR RAMIL dedilhando seus primeiros versos no violão.

Em 1983, como alguns espaços foram fechados, saímos em busca de apoio para a realização de sua terceira edição. Nessa maratona viajei a Porto Alegre e, junto com a Paula Vasquez, visitamos o diretor de Cultura do governo Jair Soares, que era...advinhem quem? Ele mesmo, Luis Antonio de Assis Brasil. Muito educado, não nos deu muita atenção e logo fomos embora. De parte do governo do estado não conseguimos apoio nenhum mas, mesmo assim, realizamos a nossa última PALMARTE. O resto é História.

Concluindo, acredito que entre tantos equívocos, o governo de Yeda Crusius cometeu um que é imperdoável, que foi nomear Mônica Leal como secretária de Cultura que, além do seu despreparo para essa área, era filha de um dos maiores representantes da ditadura, Pedro Américo Leal, que quando ouvia falar em cultura ameaçava puxar o revólver. Em relação a Jair Soares, ele foi eleito na primeira eleição para governador aqui no RS, derrotando por 21.000 votos Pedro Simon. Seu partido era o PDS, que sucedeu a ARENA e hoje é conhecido como PP.

Espero que o novo secretário de Cultura do estado tenha a porta de seu gabinete sempre aberta para os novos valores que possam surgir aqui entre nós. Quem sabe dessa vez ele não possa dar um estímulo a um novo VÍTOR RAMIL?

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Prêmio Nobel: leia nas entrelinhas

O mundo civilizado está de olho.

A maior prova disso foram a entrega do Nobel de Literatura para Vargas Lhosa e o da Paz para um prisioneiro político chinês.

O notável escritor Vargas Lhosa é um declarado inimigo do totalitarismo aonde quer que ele se manifeste. Apoiador da revolução cubana, desde 1971 manifestou-se contrário aos descaminhos efetuados por Fidel e seus asseclas. É um defensor intransigente dos Direitos Humanos e da liberdade de opinião. Sua obra literária é plena de denúncias das arbitrariedades cometidas por governantes latinoamericanos.
Prêmio mais que merecido.

Quanto ao Nobel da Paz, muita gente acreditava que quem levaria essa horaria seria Lulla. O fato do jornal francês Le Monde ter escolhido o presidente brasileiro para, se não me falha a memória, "Homem do Ano", entusiasmou o círculo íntimo que ronda o Palácio do Planalto, em Brasília. É importante salientar que Lulla foi lançado ao Nobel da Paz em junho deste ano pelo ex-senador Aloísio Mercadante, o homem que revogou o irrevogável.

Quem recebeu essa honraria foi Liu Xiaobo, um intelectual de respeito que esteve presente, entre outros atos políticos, nas manifestações pela democracia na Praça da Paz Celestial, onde ocorreu o famoso massacre. Liu Xiaobo está preso, condenado a onze anos de prisão. Encontra-se incomunicável e só recebe a visita de sua esposa uma vez por mês, que por sinal agora está em prisão domiciliar.

As pessoas civilizadas de todo o mundo, intelectuais de respeito, cientistas, professores, jornalistas, ambientalistas, pesquisadores de todas as áreas e políticos, entre outros, ligados a países que contam com o regime democrático consolidado, através do Nobel, deixaram seu recado. O chápéu serviu claramente em Lulla que flertou abertamente com o pior que existe no mundo. Terroristas, narcotraficantes, ditadores da pior espécie, regimes que pregam a intolerância e o desrespeito a pessoa humana foram tratados com benevolência pela política externa e interna brasileira.

O resultado está aí.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Paris: era agora ou nunca

A partir de hoje vou relatar aqui no blog um pouco das "aventuras" que eu e a Carla vivemos em Paris. Era agora ou nunca. Desde 2006 estávamos com essa viagem programada. Com o falecimento de minha mãe e retorno para Santa Vitória ela ficou em standby. Foi uma viagem de primeiras vezes.

Sempre achei que voar era com os pássaros. Pela primeira vez íamos voar. Sem nenhum receio saímos de avião de Porto Alegre a São Paulo e depois para a capital da França. Meu maior problema sempre foi a comunicação em terras estrangeiras. Felizmente, com algumas travadas, tudo foi resolvido da melhor maneira, ou seja, português, espanhol, bonjour, merci e muita mímica resolveram nossos problemas. Aliados, é claro, aos encontros casuais com brasileiros e portugueses que vivem ou moram por lá, sem esquecer a ajuda inestimável da nossa grande amiga Carlise e a visita providencial da Aline, que está conhecendo a Europa com a cara e a coragem de uma guerreira.

Escrevi um diário que vai servir de guia para essas postagens.

Quem viver, lerá.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

LEMINSKI E AS CIGARRAS DO HERMENEGILDO

Inspirado na biografia do Paulo Leminski e no maravilhoso verão de 2010, escrevi a crõnica que voces podem conferir a seguir:

"Não canso de repetir: não gosto dos revolucionários. Geralmente trazem sangue inocente em suas mãos. Por outro lado, sou apaixonado pelos rebeldes, aqueles inquietos, que suam de prazer e emoção, que não se conformam e transpiram mesmo no mais alto inverno. Paulo Leminski era um desses.

Poeta curitibano, filho dileto do concretismo e da contracultura, creio que até hoje não teve o seu valor reconhecido pela rançosa crítica literária brasileira. Não foi à toa que, no auge do Tropicalismo, recebeu mais de uma vez a visita da Caetano Veloso e Gilberto Gil, para ficar nos mais famosos. Em sua contida poesia, estão contidos (desculpem a redundância) desde Ezra Pound até Osvald de Andrade, culminando nos haicais, a poesia japonesa em sua essência. Não se resumiu só a isso. Foi professor, publicitário, letrista de MPB e o que lhe desse na telha. Extremamente bem informado, falava várias línguas, entre elas, o grego e o latim. Paulo Leminski foi um gênio que soube trabalhar a sua língua pátria como poucos. Querem um exemplo? Pois bem, aí está:

“Haja hoje para tanto ontem.”

Outro? Por menor que seja?

“Tudo dito/nada feito/ fito e deito.”

Isso é o mínimo. O poeta foi ainda autor de frases que dizem muito em pouco espaço: “o concretismo é uma pedra no caminho da poesia brasileira”. Querem mais Leminski? Comprem seus livros. Procurem saber mais sobre ele, a internet está aí para isso. Eu continuo com esta crônica de verão.

As cigarras, segundo informa a internet (olha ela aí de novo), passam a maior parte do ano quietinhas no solo, alimentando-se da seiva das raízes das plantas. Só quando o clima esquenta e começam a cair as primeiras chuvas de verão, é que elas saem de seu esconderijo debaixo da terra...” Sabem para quê? Para AMAR! Para perpetuar a sua espécie e para nos inebriar com o seu canto.

E o que tem a ver o Hermenegildo com isso tudo? É bom lembrar que, antes de ser a “maior praia do mundo”, como querem muitos, ou o “mar da tranqüilidade” como ainda sonham poucos, ou outro rótulo qualquer, esta praia é um estado de espírito. Um lugar telúrico situado entre o coração e a memória daqueles que amam as coisas simples e belas que a natureza oferece. São momentos mágicos que a natureza nos oferta em sua imensa generosidade. Isso aconteceu novamente comigo. Lá no Hermenegildo.

Neste último domingo acordei tarde. Estava sozinho. Dei uma volta pela beira da praia. Almocei e sentei na frente da casa para continuar lendo a biografia de Paulo Leminski. Era possível ver o mar e ao mesmo tempo sentir uma leve brisa que ajudava a amainar o enorme calor das 13:00 horas . Perfeito para cochilar, mas preferi ler esse fascinante livro escrito por Toninho Vaz. Suas páginas dizem muito e a abstração foi total. Apenas eu e o livro.

E foi aí que me deu um estalo. Não enxergava ninguém na rua. Nenhum banhista atrasado ou adiantado. O calor era sufocante e aquele zumbido inebriante. Foi como uma revelação. Quando percebi estava rodeado de cigarras, dezenas delas, centenas até. Elas cantando, saudando o ato de viver e eu ali, embasbacado, arrepiado de emoção, não acreditava que isso estivesse ocorrendo comigo. Um momento único, raro, em minha vida. Um presente dos deuses, uma oferta de Deus. Tinha de dividir esse “instante profundo”, como bem disse Violeta Parra e liguei para o Zorro, primo e amigo. Acho que só ele para perceber o que eu estava sentindo. Entre risadas e citações, lembrou Antonin Artaud. Portanto, segui no meu delírio, e foi fácil de concluir que não só ali, mas por todo o Hemenegildo, voavam e cantavam milhares de... FADAS.

Obrigado Leminski!"

domingo, 20 de dezembro de 2009

TOQUE NEGATIVO

"O meio-ambiente é, sem dúvida nenhuma, uma ameaça ao desenvolvimento sustentável e isso significa que é uma ameaça pro futuro do nosso planeta e dos nossos países."

DILMA ROUSSEF, na Conferência do Clima de Copenhague

O vídeo está rolando na internet, ou não?

NÃO ENTREGOU

Embora atrasado posso responder com a máxima convicção, Guilherme, o GRÊMIO, embora perdendo, NÃO entregou.

Um abraço

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

NÃO ENTREGA, GRÊMIO!

Na decisão da Copa de 1950, no Maracana, logo após o gol do Brasil, o mundo teve a oportunidade de conhecer um ser humano extraordinário e um líder nato, chamava-se OBDÚLIO VARELA. Colocou a bola debaixo do braço, chamou seus companheiros da seleção uruguaia e disse que a partida ainda não estava perdida. Com firmeza comandou a sua seleção na virada histórica que calou as vozes de 150.000 pessoas. Conta a lenda que não ficou alegre por esse feito e, munido de uma triste melancolia, saiu às ruas do Rio de Janeiro, para beber com os perdedores. Amanheceu sózinho na praia de Copacabana. Com certeza um homem raro, esse OBDÚLIO.

Todos aqueles que me conhecem sabem que primo pelo uso da razão. Acima até da paixão, acredito que a razão deve prevalecer. Por isso o GRÊMIO deve ir para o Maracana, no próximo domingo, com todos os seus titulares e jogar para ganhar. É o mínmo que pode fazer. Entregar esse jogo para não ajudar o arqui-rival é indigno de uma grande equipe. É uma questão de honra jogar essa partida como se deve jogar todas as partidas deste esporte extraordinário que é o futebol. Para ganhar. Mesmo que perca ou empate, o suor da ética e da moral deve embeber as camisas do atletas gremistas, para que a maioria da sua torcida, que prima pela razão, tenha o orgulho de contar aos que ainda não nasceram que viram o maior estádio do mundo calar outra vez. Por onze OBDÚLIOS VARELAS.

NÃO ENTREGA GRÊMIO!

E ainda por cima poderemos dizer aos colorados:" Voces nos devem essa!"

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

CADÊ AS VOZES DISSONANTES?

Acabamos de receber, com todas as honras, um chefe de estado que nega o HOLOCAUSTO e, recentemente, foi reempossado após vencer uma eleição que certamente foi fraudada e que mantém a oposição debaixo das botas de milícias religiosas?

Aonde estão as vozes dissonantes deste país? Será que todo mundo é a favor?

Quero ouvir a opinião de FERREIRA GULLAR, SÉRGIO AUGUSTO, MILLOR FERNANDES, ZIRALDO, IVAN LESSA, FERNANDA MONTENEGRO, RUBEM FONSECA, DANUZA LEÃO, CAETANO VELOSO, CACÁ DIEGUES, NELSON MOTA, WALTER SALLES, ELIO GASPARI,LUIS FERNANDO VERISSIMO e tantos e tantos outros jornalistas, escritores, professores, poetas, músicos, arquitetos e demais profissionais que formam a consciência crítica desta nossa Nação Brasileira.

Falem! Exprimam sua opinião. Necessitamos saber.